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HORTA PEDAGÓGICA INCLUSIVA DA APAE DE SÃO LUÍS TRANSFORMA CULTIVO EM AUTONOMIA, APRENDIZAGEM E PARTICIPAÇÃO

há 2 dias
5 min de leitura

Com estrutura acessível e atividades de educação ambiental, projeto desenvolvido no CAEE Eney Santana estimula habilidades, fortalece a convivência e amplia o protagonismo de estudantes com deficiência intelectual e múltipla.



Na APAE de São Luís, o cultivo de hortaliças tem se transformado em uma experiência de aprendizagem, autonomia e inclusão. Inaugurada em 25 de março de 2026, a Horta Pedagógica Inclusiva, implantada no Centro de Atendimento Educacional Especializado (CAEE) Eney Santana, proporciona aos estudantes com deficiência intelectual e múltipla a oportunidade de participar de todas as etapas do cultivo, desde o preparo do solo até a colheita. Mais do que aprender sobre plantas e sustentabilidade, os alunos desenvolvem habilidades, assumem responsabilidades e descobrem novas possibilidades de participação no cotidiano.


A construção da horta foi financiada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Luís (CMDCA), e recebe apoio de parceiros como Instituto Sotreq/SotreqCat, que contribuiu com materiais para a construção da estufa, além de contar com o apoio do vereador Raimundo Penha, que colaborou com insumos para as atividades. A iniciativa integra as práticas de Educação Ambiental desenvolvidas pelo CAEE e reforça o compromisso da APAE de São Luís com uma educação especializada, acessível e voltada às potencialidades de cada estudante.


Durante a inauguração, realizada nas comemorações dos 55 anos da APAE de São Luís, a gestora geral da instituição, Christiane Diniz, ressaltou a importância do espaço para o desenvolvimento educacional. “Além de ensinar o manejo das hortaliças, o objetivo é desenvolver diversas habilidades com essas crianças, além de promover interação e melhor relacionamento”, destacou.


Um espaço acessível para aprender e participar


Com uma área projetada de 299 metros quadrados, a Horta Pedagógica Inclusiva conta com 20 canteiros, sistema de irrigação, estufa para a produção de mudas e área de circulação com piso intertravado. Parte dos canteiros foi construída em altura adaptada, favorecendo a participação de estudantes que utilizam cadeira de rodas ou apresentam dificuldades de locomoção.



A estrutura foi planejada para ampliar as condições de acesso às atividades, permitindo que os estudantes participem das diferentes etapas do cultivo conforme suas habilidades e com os apoios necessários. A proposta considera que a inclusão não depende apenas da eliminação de barreiras físicas, mas também da criação de oportunidades efetivas de aprendizagem e participação.


As aulas de Educação Ambiental são desenvolvidas em duas etapas complementares. Na primeira, realizada em sala, os alunos trabalham conteúdos relacionados ao meio ambiente, à sustentabilidade e à reutilização de materiais. Em seguida, o aprendizado é colocado em prática na horta, com atividades de preparo do solo, plantio de sementes e mudas, irrigação, retirada de ervas daninhas, adubação e colheita.


Os estudantes também acompanham a distribuição e a venda das hortaliças produzidas, participando de experiências que relacionam o cuidado com a natureza à organização, à responsabilidade e à convivência em grupo. Essas atividades contribuem para estimular a coordenação motora, o raciocínio, a comunicação, a cooperação e o desenvolvimento de habilidades importantes para a vida cotidiana.


Da resistência inicial à conquista da autonomia


Os resultados do projeto também são percebidos nas atitudes dos próprios estudantes. Segundo a professora Cleane Lisboa, responsável pelas aulas de Educação Ambiental, alguns alunos demonstram resistência às atividades no primeiro contato com a horta. Entretanto, à medida que conhecem o espaço e participam das tarefas, passam a apresentar maior interesse, envolvimento e iniciativa.


Com a continuidade das experiências, determinados estudantes começam a reconhecer as atividades da rotina e a realizá-las com mais independência. A irrigação dos canteiros, realizada no início da manhã e no final da tarde, é uma das tarefas que favorecem a construção desse senso de responsabilidade.


Entre as experiências vivenciadas pela professora, uma se destacou pela transformação observada no comportamento de um aluno. Inicialmente, ele precisava de orientações frequentes para realizar as atividades. Com o passar do tempo, começou a demonstrar iniciativa no plantio, na irrigação e nos cuidados com as hortaliças. Em determinado momento, ao perceber que outro colega precisava de ajuda, decidiu auxiliá-lo espontaneamente.


“Naquele momento, compreendi que a horta não estava apenas ensinando sobre plantas e meio ambiente, mas também possibilitando o desenvolvimento da autonomia, da cooperação e do sentimento de pertencimento”, relata Cleane.


A experiência demonstra que o aprendizado ultrapassa os conhecimentos ambientais. Ao reconhecer uma tarefa, assumir uma responsabilidade e colaborar com os colegas, o estudante amplia sua participação nas atividades coletivas e fortalece relações de convivência e solidariedade.


Aprendizado que ultrapassa os muros da instituição


A experiência da estudante Kamila de Sousa Lucena, do CAEE Eney Santana, também evidencia como as atividades desenvolvidas na horta podem repercutir no ambiente familiar. Durante as aulas práticas, a professora Cleane Lisboa observou que Kamila passou a demonstrar maior interesse pelo cultivo, ampliando sua interação com os colegas e participando de maneira mais ativa das tarefas, inclusive auxiliando outros estudantes.


O envolvimento foi tão significativo que a aluna decidiu levar a experiência para casa. Após participar das atividades no CAEE, Kamila pediu à mãe que comprasse materiais para montar sua própria horta. Posteriormente, a família compartilhou com a professora o entusiasmo da estudante em reproduzir o que havia aprendido.


O episódio representa um dos resultados mais importantes da proposta pedagógica: a possibilidade de transformar experiências realizadas na instituição em conhecimentos e iniciativas que também fazem parte da vida cotidiana. Ao demonstrar interesse em cultivar sua própria horta, Kamila passou a assumir um papel ativo na continuidade de sua aprendizagem.


Para Cleane Lisboa, o principal impacto do projeto está justamente na oportunidade de cada estudante reconhecer suas capacidades, participar das atividades e perceber que sua contribuição tem importância. “A inclusão não deve acontecer apenas no discurso, mas nas experiências do cotidiano”, destaca a educadora.


Cultivando oportunidades e fortalecendo a inclusão


A Horta Pedagógica Inclusiva integra o conjunto de iniciativas educacionais desenvolvidas pela APAE de São Luís para promover o desenvolvimento integral das pessoas com deficiência intelectual e múltipla. Ao associar educação ambiental, acessibilidade e atividades práticas, o projeto contribui para uma aprendizagem que respeita as particularidades dos estudantes e valoriza suas conquistas.


A experiência também demonstra a importância das parcerias institucionais para a criação e manutenção de espaços inclusivos. O apoio de organizações, empresas e agentes públicos fortalece a atuação da APAE de São Luís e amplia as oportunidades de acesso a práticas pedagógicas diversificadas.


Mais do que um espaço de cultivo, a horta representa uma oportunidade para que os estudantes experimentem, façam escolhas, assumam responsabilidades e compartilhem conhecimentos. Cada muda plantada, cada canteiro cuidado e cada colheita realizada representam experiências que contribuem para o desenvolvimento da autonomia, da confiança e do sentimento de pertencimento.


Ao reunir acessibilidade, educação ambiental e participação ativa, a iniciativa também apresenta possibilidades que podem inspirar outras unidades da Rede Apae na construção de práticas educacionais inclusivas.


Na Horta Pedagógica Inclusiva da APAE de São Luís, as hortaliças são apenas uma parte da colheita. Os resultados mais significativos aparecem na autonomia conquistada, na cooperação entre os estudantes e nas novas oportunidades de aprender, conviver e participar.

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